Venezuela suspende aulas e dia de trabalho por apagão que dura mais de 16 horas

O governo da Venezuela anunciou o fechamento de escolas e a suspensão do dia de trabalho nesta sexta (8), por falta de energia em Caracas e em outras grandes cidades do país. 

O apagão começou às 16h50 (17h50 em Brasília) de quinta (7) e já dura mais de 16 horas. O problema foi causado por falhas na principal hidrelétrica do pais.

O ditador Nicolás Maduro "suspendeu as aulas e o dia de trabalho hoje para facilitar os esforços de recuperar o fornecimento de energia elétrica no país", avisou a vice-presidente Delcy Rodriguez em sua conta no Twitter. 

Em Caracas, muitas pessoas caminhavam pelas ruas durante a manhã devido ao fechamento do metrô. Poucos ônibus circulavam. Muitos não sabiam que o dia de trabalho havia sido suspenso porque não tiveram acesso às notícias no rádio e na TV devido à falta de energia. Linhas telefônicas e internet têm serviço intermitente.

De acordo com a imprensa local, o apagão afetou praticamente toda a Venezuela, com cortes em 23 dos 24 estados, incluindo Zulia, Táchira, Mérida e Lara (oeste), Miranda, Vargas, Aragua e Carabobo (centro-norte), Cojedes (centro), Monagas e Anzoátegui (leste) e Bolívar (sul).

Nas redes sociais, Maduro acusou os Estados Unidos pelo apagão: "A guerra elétrica anunciada e dirigida pelo imperialismo americano contra nosso povo será derrotada. Nada nem ninguém poderá vencer o povo de Bolívar e Chávez. Máxima união dos patriotas".

A estatal elétrica Corpoelec também acusou uma ação intencional. "Sabotaram a geração na [central hidrelétrica de] Guri... Isso faz parte da guerra elétrica contra o Estado. Não permitiremos", publicou a empresa no Twitter.

Guri, em Bolívar, é uma das maiores represas geradoras de energia da América Latina, atrás apenas da de Itaipu, entre Brasil e Paraguai.

A luz foi cortada em Caracas no fim da tarde, afetando serviços como o metrô. Na capital, com altos índices de criminalidade, a população voltou para casa na luz do dia. Houve panelaços de protesto pela situação. 

"Já estamos cansados, esgotados", declarou à AFP a executiva de vendas Estefanía Pacheco, mãe de duas crianças, obrigada a andar 12 km entre seu trabalho até sua casa.

A partida entre Deportivo Lara e Emelec do Equador pelo Grupo B da Copa Libertadores —prevista para quinta-feira em ​Barquisimeto, no oeste do país— foi adiada para a tarde de sexta-feira. 

Por volta da meia-noite, a vice-presidente Delcy Rodríguez denunciou um "ataque de grande envergadura" e disse que energia havia voltado aos estados de Bolívar, Anzoátegui, Monagas e Nueva Esparta, no leste do país.

No início da madrugada de sexta, mais de oito horas após o corte, alguns pontos da zona leste da capital voltaram a ter energia elétrica.

Os apagões são comuns na Venezuela, onde a economia está em colapso, com falta de alimentos e remédios, além de grande êxodo de venezuelanos. Mais de três milhões de cidadãos já deixaram o país desde o início da crise.

Em um país onde a inflação deve atingir os 10.000.000% em 2019, segundo o Fundo Monetário Internacional, a falta de energia também paralisa o comércio, impedindo as transações eletrônicas, hoje utilizadas até para as compras de valor ínfimo.

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