Um dia após eleição, premiê de Israel é chamado por Procuradoria

Assim que a euforia da vitória passou, a vida real veio bater à porta do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, nesta terça-feira (9). 

Por causa das eleições, o premiê havia pedido ao procurador-geral de Justiça, Avichai Mandelblit, que “congelasse” os procedimentos contra ele nos três casos de corrupção em que está envolvido. 

Mas os advogados de Netanyahu foram chamados por Mandelblit para receber oficialmente nesta quinta (11) as evidências dos casos para preparar a defesa do premiê.

Segundo analistas, a decisão final do procurador pode sair daqui a um ano. 

Mesmo depois de indiciado, Netanyahu não é obrigado a renunciar —só se for condenado. Mas não há dúvida de que, no momento em que Mandelblit anunciar os indiciamentos, será difícil para o premiê se manter no cargo.

Por isso, o parlamentar Miki Zohar, do Likud, exigiu nesta quarta que a Procuradoria “caia em si” e abandone os planos de processar o premiê. Segundo ele, o povo deu voto de confiança a Netanyahu, ao elegê-lo pela 5ª vez.

“As pessoas são soberanas e votaram para manter o premiê no poder. Elas decidiram que os casos [que envolvem Netanyahu] não são de natureza criminosa”, disse Zohar.

Em entrevistas recentes, Netanyahu insistiu que pretende demover o procurador-geral da intenção de indiciá-lo. 

Mas, com a vitória e o fortalecimento de seu partido, o premiê pode tentar algum tipo de subterfúgio para escapar da lei. Um deles é a aprovação de uma polêmica legislação que daria a ele imunidade enquanto estiver no cargo, a chamada “Lei Francesa”.

“O novo governo de Netanyahu terá dois objetivos principais: livrar-se das acusações e anexar os assentamentos a Israel, em coordenação com o governo Trump. Isso pode ser resumido como ‘imunidade em troca de soberania’”, diz Aluff Ben, colunista do jornal Haaretz, referindo-se a uma possível negociação com partidos de extrema direita que pregam a anexação da Cisjordânia.

Já existe uma lei pela qual parlamentares podem conceder imunidade a um deles se a maioria estiver convencida de que o réu foi tratado injustamente. Mas nem todos os partidos se comprometeram a aprovar esse tipo de imunidade.

As três investigações criminais das quais Netanyahu é suspeito foram chamadas de casos 1000, 2000 e 4000. O primeiro envolve acusações de que o premiê recebeu US$ 132 mil (R$ 505 mil) em presentes de amigos empresários, incluindo charutos e bebidas alcoólicas, em troca de benefícios.

O caso 2000 diz respeito à troca favores com o dono do jornal Yedioth Aharonoth para receber cobertura jornalística mais amena. 

No caso 4000, ele é acusado de patrocinar legislação beneficiando a empresa de telecomunicações Bezeq em troca de cobertura positiva no site de notícias do dono da empresa, o Walla News. 

Caso a decisão do procurador contenha a acusação de suborno —e não apenas quebra de confiança ou crimes mais amenos—, seus colegas de partido podem exigir sua renúncia em favor de outro premiê do próprio Likud ou convocar novas eleições.

É com isso que o Azul e Branco, segundo colocado nas eleições, conta. “Vamos amargurar a vida da coalizão. Não vamos deixar de lado essas questões jurídicas”, disse Yair Lapid, um dos líderes. 

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