O Esporte em tempos de incerteza

Numa visão simplista, há duas visões em torno do que deva ser uma política esportiva para o país: uma que privilegia os esportes de alto rendimento, os de competição, e outra voltada para a massificação esportiva.

Embora não se excluam necessariamente, e a segunda alimente a primeira, em 518 anos de história o Brasil não foi capaz de desenhar o que quer ser quando crescer em matéria de esporte.

A primeira visão vigorou até hoje, e seu maior representante, Carlos Nuzman, vive o ocaso em apuros, ainda mais agora com o escândalo na Nissan, ex-parceira do COB e fornecedora de quatro automóveis para seu lazer.

A segunda jamais prevaleceu, embora o ministério tenha sido ocupado por dois representantes do PC do B, ambos mais preocupados em jogar para a galera e humilhados, ou pelo chute no traseiro do corrupto ex-secretário geral da Fifa, ou pela tapioca comprada com cartão de crédito do governo.

O ex-sinistro Aldo Rebelo, que saiu do PC do B e acabou no Solidariedade de Paulinho da Força, entende tanto de esportes que indicou Vanderlei Luxemburgo para a pasta paulista no caso de eleição de Márcio França. Dessa São Paulo se livrou.

Essencial, portanto, não é ter o Ministério do Esporte.

Fundamental é definir uma Política Esportiva com P e E maiúsculos, voltada antes de mais nada à saúde pública, como fator de prevenção de doenças; é democratizar o acesso à prática esportiva, é dar espaços e professores às escolas.

Segundo antiga pesquisa da Organização Mundial da Saúde, cada dólar investido em massificação poupa três na saúde.

Só que o argumento cego de sempre é que com tantos problemas o esporte não pode ser prioridade, embora tenhamos despejado bilhões de reais para sediar Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e Pan-Americanos sem deixar um mísero legado que atenda por esse nome.

Mas, não tenha dúvida: o simples mencionar da palavra massificação levará os ideólogos do governo eleito a ver o perigo comunista po rtrás do termo, como vê no aquecimento global, no exame do Enem, no Mais Médicos, e tantos outros temas da volta da Guerra Fria patrocinada por Donald Trump e respaldada pelos novos malucos do Patropi.

Como parecia impossível, mas nada é tão ruim que não possa piorar, o velho nazista Joseph Goebbels voltou à moda de tanto repetir mentiras, transformadas em verdades, para nos dar a certeza de estar diante de um futuro repleto de incertezas.

Por que o esporte escaparia?

De quarta

O amistoso da seleção brasileira contra Camarões não poderia ser disputado em palco mais simbólico: o de um clube inglês da quarta divisão! Chegamos lá!

Verdade que se o nível do Campeonato Brasileiro é de terceira divisão, o da seleção ainda está acima, não abaixo.

Mas os caça-níqueis da CBF não estão nem aí para a liturgia de um time que carrega cinco estrelas na camisa, sob risco de se eternizar a depender do correr da carruagem.

No sexto jogo entre os dois times, a quinta vitória brasileira, 1 a 0, graças a Richarlison, a única coisa realmente boa do jogo, porque Arthur, recuado como primeiro volante, não é o mesmo do Barcelona ou do Grêmio, mais adiantado.

A temporada de 2018 termina com números altos e desempenho baixo: 13 vitórias, um empate e uma derrota, com 29 gols feitos e três sofridos.

A melhor atuação acabou sendo a contra a Bélgica, que custou a eliminação da Copa do Mundo da Rússia...

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