Dilema do Esporte passa por encruzilhada dos ministérios

Na campanha eleitoral o presidente eleito Jair Bolsonaro praticamente pouco abordou o tema esporte, mas colocou um dilema em relação ao setor com a proposta de reduzir o número de ministérios.

É que o esporte, hoje com ministério próprio, deve ser absorvido por órgão de outra área no novo governo, tornando-se apenas uma secretaria. Essa medida está sendo analisada por assessores da futura Presidência. Enfim, caso a hipótese se confirme, não há dúvida de que a influência do esporte na política governamental encontrará mais dificuldades.

Tal intenção deixa os esportistas em geral temerosos de um retrocesso na área. Os grandes eventos internacionais promovidos pelo país --Pan-07, Copa das Confederações-13, Copa do Mundo-14 e Olimpíada-16-- propiciaram incentivos e verbas governamentais generosas ao ramo esportivo nacional.

Com a crise econômica, porém, o setor sofreu restrições nos últimos dois anos, situação que pode piorar. Diante desse quadro, óbvio, fica mais complicado enfrentar as dificuldades sem a força de um ministério.

No domingo (18), Bolsonaro esteve no Parque Olímpico da Barra, no Rio, onde participou de uma cerimônia de entrega de medalhas de competição de jiu-jitsu --Abu Dhabi Grand Slam--, na Arena Carioca 1.  Certamente, o evento serviu para um leve aceno diplomático em direção aos árabes, após sua fala sobre mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, que causou muita polêmica.

Questões relacionadas ao esporte, no entanto, o presidente eleito aborda com cautela. Quando o assunto aparece, faz questão de destacar  sua condição de professor formado na Escola de Educação Física do Exército e de ex-atleta.

Já adiantou  que a atividade terá um espaço especial no novo governo, mas que ainda nada está decidido. Para Bolsonaro, o esporte tem um linguagem universal, com efeitos positivos na segurança, respeito, empregabilidade, auxílio para a boa saúde e no combate à criminalidade e drogas, além de criar uma hierarquia.

Isto posto,  Bolsonaro não parece preocupado em aplicar muitos recursos no desenvolvimento do esporte de alto rendimento, o de nível olímpico.  Sua visão estaria mais focada no trabalho de base e no esporte escolar. Mesmo assim, não há nenhuma garantia nesse sentido, pois a tendência do novo governo diante das dificuldades econômicas é enxugar investimentos públicos nas áreas sociais.

O atual ministro do Esporte, Leandro Cruz, por exemplo, manifestou sua preocupação em artigo nesta Folha. Para ele, eventual fim do ministério minaria a inclusão social. O esporte deve ter um órgão próprio para pensar políticas públicas e difundir programas, com receitas que atendam às necessidades.

Destacou ainda que a economia pretendida é inexpressiva, e a decisão causaria impacto negativo em todo o processo de gestão.  Boa parte do orçamento se destina a programas como Bolsa Atleta, CIEs (Centros de Iniciação ao Esporte) e repasses de recursos garantidos por lei ao COB (Comitê Olímpico do Brasil), ao CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) e ao CBC (Comitê Brasileiro de Clubes).

Cartolas e esportistas, no momento, concentram suas atenções nos bastidores de Brasília.  É lá que esperam por uma jogada decisiva, que assegure o respaldo do esporte no país.


 

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