A Educação não pode esperar, o poder das cidades

Escrevo a coluna em Atibaia, no estado de São Paulo, onde centenas de secretários municipais de educação se reuniram para discutir desafios comuns. Vim falar para eles sobre o legado que podem deixar para a educação em suas cidades.

A grande tarefa de dirigentes educacionais hoje é enfrentar a crise de aprendizagem que o Brasil vive.

Apesar de, finalmente, as crianças e os adolescentes estarem, em sua grande maioria, na escola, eles não estão aprendendo como deveriam. O diagnóstico é do respeitado World Development Report de 2018, do Banco Mundial, mas também aparece nas análises dos resultados do país no Pisa de 2015.

Nem tudo é ruim, em educação, no entanto. Houve avanços, nos últimos anos, no acesso à escola e mesmo em aprendizagem. A cada edição da Prova Brasil, desde 2005, tivemos melhoras nas notas de português e matemática no 5º ano e, nas três últimas, no 9º ano. O problema é que estes avanços são ainda tímidos e lentos para a velocidade das transformações do século 21.

Ao ler o noticiário sobre desentendimentos e demissões no MEC, fiquei um pouco deprimida, pensando no tempo que perdemos com discussões secundárias, frente à imensa tarefa de acelerar o passo na construção de uma educação com altas expectativas para todos os alunos. Mas o evento em Atibaia, organizado pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) de São Paulo, trouxe-me a energia de volta.

A crise de aprendizagem esteve presente nas discussões e, mais ainda, na construção de soluções já em andamento em muitas cidades. É como se o passo ainda lento de Brasília não interferisse na determinação de cada cidade em enfrentar os problemas de uma educação que patina.

Com os esforços empreendidos, há muito o que pode ser feito, mesmo em crise fiscal. Mas não podemos nos iludir: Brasília também é importante.  

Há três mecanismos principais de atuação da União na educação básica: a Base Nacional Comum Curricular, que funciona como um pré-currículo para o país, a formação inicial dos professores, para a qual uma Base Nacional Docente foi esboçada na última gestão do MEC, e o sistema nacional de avaliação, liderado pelo Inep.

Sem avaliação de qualidade, não temos como saber se estamos avançando e abrimos, assim, espaço para achismos, muito frequentes em educação.

Mas também é de Brasília que vêm leis que garantem o financiamento e alguns dos mecanismos de colaboração e governança para assegurar que todos os alunos possam ter bons professores, material escolar e um ambiente de aprendizagem propício e conseguir, desta forma, aprender mais. 

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